terça-feira, 1 de janeiro de 2008

O que esconde a factura da água?



Há muito ando incomodado com as facturas que pago, relativamente ao consumo de água e taxas daí extrapoladas.
Não pelo consumo em si, mas pela indexação da taxa de resíduos sólidos urbanos e utilização do saneamento, ao consumo de água. Vejamos porquê.
Taxa de resíduos sólidos.
No concelho onde vivo - Maia - e penso que o mesmo acontecerá senão em todos, em muitos dos outros concelhos portugueses, os doutos iluminados que (des)governam o município decidiram dividir os custos com a recolha dos lixos pelos munícipes. Até aqui, tudo bem.
A questão levanta-se com a forma encontrada para o fazer. A forma foi fácil, mas injusta, e descabida.
Estabeleceram uma indexação directa entre o consumo de água e o lixo produzido, ou seja, quanto mais banhos tomar, mais vezes utilizar a sanita, der banho ao cão, ou regar o jardim, significa de forma absurda que produzo mais lixo. Qual a relação directa entre uma coisa e outra? Mas não pagamos nós uma taxa para tratamento do lixo (eco-valor) no acto da compra da maior parte dos produtos?

Utilização do saneamento.
Estabeleceram igual relação directa, entre o consumo de água e a utilização do saneamento público. Quer isto dizer que, se tomo banho todos os dias, gasto mais água, logo utilizo mais o saneamento. Isto compreende-se? E quem só tem fossas sépticas? Porque paga também?
Estarão a promover o famoso banho semanal, ainda hoje em voga e praticado por tanta gente (mais do que pensamos)? Talvez!
Será um apelo à poupança de água? Se sim, esta não será concerteza a melhor forma!
Estas medidas confortarão os cofres das autarquias? Sem dúvida que sim, superando largamente todos os custos directos e indirectos com os resíduos sólidos e saneamento de qualquer autarquia.
E então o resto do dinheiro? Sei lá!...

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