terça-feira, 1 de janeiro de 2008

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Reciclagem de resíduos urbanos? O que ganho eu com isso?


Aqui em casa há muito se pratica a separação dos lixos. Mesmo muito antes da LIPOR e empresas congéneres se lembrarem de fazer como o velho Atílio(1): transformar esterco em ouro. Sobre este tema, não receberei lições de ninguém!

Porém, questiono-me muitas vezes acerca do benefício que porventura usufrua face aqueles que nesta matéria nada fazem. É óbvio que ao separar o lixo que produzo, estou a contribuir com a minha quota parte para a preservação do ambiente, e este benefício é inquestionável, quer para mim, quer para os outros.

Mas não é nesta compensação que falo.

Ao separar os lixos, estou também a contribuir com o meu trabalho para a LIPOR, que nada me paga por isso. Aliás, sob este ponto de vista, estou até convencido que ao fazê-lo, estou a impossibilitar alguém de trabalhar e fazê-lo por mim.

Voltando ao assunto, de que beneficio eu face àqueles que não separam os seus lixos? Nada. Absolutamente nada!


Mas nem em todo o país acontece assim. Em Óbidos, a autarquia beneficia os seus munícipes que promovam a separação dos lixos.


Como se poderia beneficiar os munícipes que cuidam dos seus lixos? É simples. Reduzindo a taxa de resíduos sólidos que agora é cobrada. Não seria justo?

(1) Atílio era uma personagem da novela brasileira 'O Casarão' exibida pela RTP por volta de 1979.

O que esconde a factura da água?



Há muito ando incomodado com as facturas que pago, relativamente ao consumo de água e taxas daí extrapoladas.
Não pelo consumo em si, mas pela indexação da taxa de resíduos sólidos urbanos e utilização do saneamento, ao consumo de água. Vejamos porquê.
Taxa de resíduos sólidos.
No concelho onde vivo - Maia - e penso que o mesmo acontecerá senão em todos, em muitos dos outros concelhos portugueses, os doutos iluminados que (des)governam o município decidiram dividir os custos com a recolha dos lixos pelos munícipes. Até aqui, tudo bem.
A questão levanta-se com a forma encontrada para o fazer. A forma foi fácil, mas injusta, e descabida.
Estabeleceram uma indexação directa entre o consumo de água e o lixo produzido, ou seja, quanto mais banhos tomar, mais vezes utilizar a sanita, der banho ao cão, ou regar o jardim, significa de forma absurda que produzo mais lixo. Qual a relação directa entre uma coisa e outra? Mas não pagamos nós uma taxa para tratamento do lixo (eco-valor) no acto da compra da maior parte dos produtos?

Utilização do saneamento.
Estabeleceram igual relação directa, entre o consumo de água e a utilização do saneamento público. Quer isto dizer que, se tomo banho todos os dias, gasto mais água, logo utilizo mais o saneamento. Isto compreende-se? E quem só tem fossas sépticas? Porque paga também?
Estarão a promover o famoso banho semanal, ainda hoje em voga e praticado por tanta gente (mais do que pensamos)? Talvez!
Será um apelo à poupança de água? Se sim, esta não será concerteza a melhor forma!
Estas medidas confortarão os cofres das autarquias? Sem dúvida que sim, superando largamente todos os custos directos e indirectos com os resíduos sólidos e saneamento de qualquer autarquia.
E então o resto do dinheiro? Sei lá!...